História

Após a morte de Clara Nunes, em 1983, seu marido e herdeiro, Paulo César Pinheiro, doou todo o material à Prefeitura da cidade de Paraopeba, terra natal da cantora. No entanto, como o Município não dispunha de condições para guarda do acervo, o mesmo ficou em poder de Maria Gonçalves da Silva, irmã de Clara Nunes, que com iniciativa e recursos próprios cuidou do material e construiu uma sala, em espaço anexo ao Centro Espírita Paulo de Tarso, para seu armazenamento. Em fevereiro de 2002, tomando ciência de que a Prefeitura de Paraopeba não havia de fato se responsabilizado pelo cuidado do acervo e nem se preocupado em disponibilizá-lo à comunidade, decidiu Paulo César Pinheiro revogar a doação anteriormente feita e doá-lo a quem de fato dele se incumbia há tantos anos. Por isso, o acervo passou a pertencer legalmente a Maria Gonçalves da Silva, que tem se empenhado por melhorar as condições de preservação e acesso público ao mesmo. Neste sentido, em 2005, juntamente com familiares e amigos, criou o Instituto Clara Nunes, visando melhorar as condições para o desenvolvimento do trabalho com o acervo, inclusive com a captação de recursos para construção de um espaço mais adequado à guarda e exposição do material.  Destaque-se que, embora, aparentemente, um acervo de propriedade de uma entidade pública – no caso, a prefeitura de Paraopeba – tenha passado a uma propriedade privada, na prática, os poderes públicos nunca se responsabilizaram pelo seu cuidado e, não fosse o empenho da família – mesmo quando não era proprietária legal do material – provavelmente, este já teria se perdido.

 

Acervo Clara Nunes na sala anexa à Creche Clara Nunes

A Professora Silvia Brügger, que coordena o projeto de conservação do acervo Clara Nunes, é sub-coordenadora do Núcleo Malungo de Extensão, Ensino e Pesquisa sobre Escravidão e Cultura Afro-brasileira, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São João del Rei. Esse núcleo, que conta com pesquisadores de diversas áreas do saber, tem desenvolvido vários projetos (alguns deles com financiamento de agências de fomento, como FAPEMIG, CNPq e mesmo da SESU/MEC), tendo como linha de atuação a afirmação da importância da cultura como lócus de compreensão e transformação da realidade social brasileira. Nesse sentido, a Professora Silvia Brügger dedicou-se, entre outras atividades, ao projeto de pesquisa de sua autoria intitulado “O Canto do Brasil Mestiço: Clara Nunes e o Popular na Cultura Brasileira”, da qual originou seu pós-doutorado desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense, entre agosto de 2007 e dezembro de 2008. 

Foi a partir do contato com o acervo da cantora para o desenvolvimento de sua investigação que a mesma se interessou em contribuir para uma melhor identificação, organização e conservação do material.

 

Desde 2005, a equipe coordenada pela professora Silvia tem desenvolvido projeto de extensão junto ao Instituto Clara Nunes, para identificação, catalogação, digitalização e acondicionamento das peças do acervo da referida cantora, composto por distintos tipos de objetos, tais como documentos pessoais, fotografias, álbuns e recortes de jornais, imagens religiosas, adereços, vestimentas, fitas K-7, troféus, entre outros. O acervo encontrava-se em um estado de conservação regular, uma vez que apesar de todo o empenho da família, só, a partir do desenvolvimento do projeto de extensão, vem recebendo um tratamento – na medida do possível – de acordo com as normas arquivísticas e museológicas.

Equipe da UFSJ trabalhando no Acervo Clara Nunes

Antes de algum tipo de intervenção restauradora, fez-se necessário um trabalho de identificação precisa do seu conteúdo, diagnóstico do estado de cada peça, além de um acondicionamento adequado visando interromper e/ou minimizar possíveis processos de deterioração. No entanto, a maior dificuldade enfrentada pelo Instituto Clara Nunes (criado pela família, em 2005, com o objetivo de preservar o acervo e a quem Maria Gonçalves da Silva – irmã da cantora – transferiu a propriedade do mesmo) era a falta de um espaço adequado para a guarda e a exposição das peças. Em função dessa dificuldade, tivemos que suspender temporariamente a solicitação de bolsistas de extensão da UFSJ, pois as condições tornaram-se inviáveis para realização do trabalho.

 

Depois de diversas tentativas, finalmente acha-se pronto um prédio próprio para o Memorial Clara Nunes, construído a partir da doação de uma casa por um sobrinho da cantora, Suede Gonçalves, e reformado com verba do governo estadual de Minas Gerais, a partir do deputado Ademir Lucas. O Memorial Clara Nunes foi inaugurado em agosto de 2012, com uma exposição montada com parte das peças do acervo, na sala própria construída para esse fim. O material foi selecionado, a partir do banco de dados de identificação do acervo e de suas fotos digitalizadas, e teve como fio condutor a trajetória pessoal e artística da cantora e as conclusões do projeto de pesquisa “O Canto do Brasil Mestiço: Clara Nunes e o popular na cultura brasileira”, desenvolvido pela Profa. Dra. Silvia Brügger. Paralelamente a montagem da exposição foi feita a transferência do acervo da sala onde se encontrava, anexa ao Centro Espírita Paulo de Tarso, para esse prédio e sua instalação nas salas destinadas à reserva técnica. 

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Fotos da casa e da reforma do prédio 

Para além, da mudança física do acervo, fez-se necessário adequar o acondicionamento de cada peça ao novo espaço e a atualização do banco de dados de catalogação dos itens do acervo. Foi feito também novo trabalho de higienização dos itens e a verificação de qualquer infestação ou problema que precise ser resolvido antes da transferência do material para seu espaço definitivo. 

O acervo de Clara Nunes é testemunho fundamental da trajetória dessa importante cantora e se constitui em fonte riquíssima para investigações de diferentes matizes sobre nossa realidade cultural e sobre a história da música brasileira. Cabe destacar que a adequada guarda desse acervo é pré-condição para sua exposição ao público. Desta forma, a completa organização do Acervo Clara Nunes permitirá sua disponibilização a um público amplo, bem como, artistas, pesquisadores e produtores culturais. Por fim, não é de somenos importância destacar que o Instituto Clara Nunes, nos anos de 2013/2014, contou com o apoio do Fundo Estadual de Cultura do Estado de Minas Gerais para a organização do acervo no novo espaço do Instituto Clara Nunes.

 

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